A clássica definição de projeto: “um esforço temporário, empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo”. Vamos entender essa definição um pouco melhor. Como entende (entre outros) Schwalbe¹, um projeto:

  • Deve ter um objetivo único (um resultado exclusivo);
  • Deve ter um tempo estabelecido para sua realização;
  • Demanda recursos de diferentes áreas;
  • Deve ter um cliente ou patrocinador; e
  • Envolve incertezas (riscos).

Vamos discutir esses tópicos:

1. Objetivo Único

“objetivo único” (a geração de um produto, a realização de um serviço ou outro resultado exclusivo) não pressupõe o ineditismo dos dados ou das informações que serão geradas, mas diz respeito a uma combinação exclusiva de elementos que serão mobilizados para alcançar o ‘objetivo único’.

Então, as condições, os contextos, os fornecedores e também uma série de resultados intermediários serão divididos em Metas, Etapas e Atividades e serão únicas e não repetidas.

Assim, gerar um único mapa pode ser entendido como um objetivo único de um projeto. Mas produzir um Atlas também pode ser entendido como um objetivo único. A diferença de escopo fica nítida nos exemplos e, mais ainda, fica clara a diferença de elementos que serão mobilizados para alcançar o objetivo.

2. Tempo Definido

O tempo pré-estabelecido, com começo e fim demarcados, nos faz entender a efemeridade da duração de um projeto : embora os resultados do projeto sejam de duração indeterminada, o projeto em si é um evento temporário, diferente de funções operacionais contínuas, que perduram no tempo ad infinitum, ou seja, um projeto tem um ciclo de vida pré-estabelecido.

Outro ponto a ser discutido aqui, para evitar imprecisões no entendimento, é o significado da palavra recurso. Essa palavra define o conjunto de elementos necessários para a realização do projeto, envolvendo pessoas, equipamentos e um orçamento com fluxo de caixa definido – daí as composições derivadas ‘Recursos Humanos’, ‘Recursos Materiais’ e ‘Recursos Financeiros’. Esses recursos deverão ser mobilizados em função do desejo de realizar o projeto, sendo necessário um…

3. Patrocinador/Cliente

Naturalmente, em projetos de cunho pessoal ou voluntário, a existência de um patrocinador não é um impedimento, mas tenha em mente que mesmo um projeto dessa natureza demanda gastos financeiros, tempo, equipamentos, entre outros elementos (o patrocinador nesse caso será você ou um grupo de voluntários).

Assim, o motivo do projeto existir está vinculado a um objetivo e aos recursos para alcançar esse objetivo: quem possibilita a mobilização dos recursos (tempo, pessoas, equipamentos, insumos, etc) é o patrocinador do projeto.

4. Incertezas e Riscos

As possibilidades de alterações no plano inicial são inúmeras e a elas damos o nome de incertezas. São entendidas como o conjunto de eventos ou situações que fogem ao desenho inicial do projeto, onde não se tem conhecimento exato da distribuição das probabilidades associadas a determinado evento, o que pode resultar em um impedimento para a conclusão de uma meta, atividade ou tarefa. Em outras palavras, é o que ocasiona riscos ao sucesso do projeto.

Risco é definido como a medida da incerteza, ou, nas palavras de Salomon e Pringle (apud SECURATO, 1993): “risco é o grau de incerteza a respeito de um evento”, e avançando um pouco sobre essa definição, o risco pode ser entendido como a “capacidade de se mensurar o estado da incerteza de uma decisão” (Assaf Neto, 1999) e deve ser medido a partir da avaliação das probabilidades associadas à ocorrência de eventos que impactam, ou possam impactar, negativamente a conclusão de um resultado esperado.

Um clássico exemplo de risco em projetos de Tecnologias Geográficas é a porcentagem de cobertura de nuvens superior à desejada quando se adquire uma imagem de satélite programada. Outro exemplo comum (para aqueles que ainda não adotaram as tecnologias livres) é a licença de software expirar devido ao atraso no cumprimento das metas que envolvem sua utilização.

Projeto é…

“ (…) um esforço temporário empreendido para criar um produto ou serviço único. Temporário significa que cada projeto tem um fim definitivo. Único significa que o produto ou serviço é diferente de alguma forma, distinto de todos os produtos ou serviços similares”(PMBOK;2008)²

“(…) um esforço em que recursos humanos (e/ou informáticos), materiais e financeiros são organizados de forma inovadora, para cumprir o escopo original do trabalho ou da especificação dada, dentro de limites de tempo e custo, de modo a operar uma mudança otimizada definida pelos objetivos quantitativos e qualitativos”

A definição de “Projeto em Tecnologia Geográfica”, “Projeto em SIG” ou equivalente, ainda carece de maior reflexão científica e até onde eu conheço, é consensualmente inexistente.

Mas, aproximando-nos da definição de projetos, caracterizamos um projeto em tecnologia geográfica a partir de sua natureza mais específica: a existência obrigatória da dimensão espacial/geográfica. Arriscando uma definição:

“Um Projeto em Tecnologia Geográfica é um esforço temporário em que recursos humanos, materiais e financeiros são organizados a partir de objetivos, condições, contextos e fornecedores em um fluxo contínuo de Metas, Etapas e Atividades, com o objetivo de realizar um serviço e/ou alcançar um resultado exclusivo e indissociável de dimensão geográfica, delimitado por tempo e custo pré-estabelecidos, mobilizando dados e informações geográficas a partir de softwares de geoprocessamento ou processamento digital de imagens.”

A definição precisa amadurecer bastante, mas a partir dela seguiremos adiante para discutir o Ciclo de Vida de um projeto, analisando alguns aspectos fundamentais para descobrir a Gestão de Projetos em Tecnologias Geográficas.

 

NOTAS:

¹ Kathy Shwalbe, é autora de “Information Technology Project Management, Fifth Edition, Course Technology, 2007 (Junho de 2007) “, professora e consultora em Minnesota, Estados Unidos.

² PMI, Project Management Instituteassociação internacional de profissionais para difusão, profissionalização e certificação de profissionais em gestão de projetos. Sua publicação mais famosa é o Guia PMBOK® – Project Management Body of Knowledge, com versões em português.

Em alternativa ao PMI, existe o IPMA, International Project Management Association, cuja publicação mais difundida é oICB®IPMA Competence Baseline. O IPMA é outra associação com foco em certificação de profissionais em gestão de projetos, mais difundida entre países do continente europeu.